Violência interno
Pro refis

O perigo à democracia

Lúcio Flávio Pinto - 06/09/2018

O atentado contra Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora, é surpresa em dose dupla. Primeiro, por ela em si. Ninguém esperava algo assim, nem mesmo a segurança do candidato do PSL à presidência da república, líder nas pesquisas depois do cancelamento da candidatura de Lula, do PT. A outra surpresa resulta das características do atentado: Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, ficou tão próximo de Bolsonaro que bastou esticar o braço para esfaqueá-lo. Foi de uma facilidade tão espantosa quanto, inversamente, a eventual presunção que o criminoso poderia ter de fugir incólume no meio da multidão que acompanhava o deputado federal.
O criminoso foi apanhado imediatamente e levado para a sede local da Polícia Federal, onde já foi ouvido. A polícia reuniu muitas informações sobre o autor do atentado, além das provas materiais do crime, inclusive a faca que ele usou, e numerosos testemunhos de pessoas que viram o que aconteceu.
A gravidade desse fato não pode ser reduzida. É acontecimento inédito na história das eleições para a presidência da república no Brasil e inusitado num centro urbano como Juiz de Fora, diante de centenas de pessoas aglomeradas em torno de Belsonaro. Todas as declarações são uníssonas em apontar o alvo final do crime: a democracia brasileira. No entanto, na plenitude dessa democracia, tudo que podia ser feito (excetuada a prevenção do crime pela segurança pessoal ou institucional do candidato) está sendo feito pelas polícias, da federal à PM e civil, com a mais rápida eficiência que se poderia esperar.
O país, surpreso, chocado e suspenso no ar pelas especulações e boatos, deve ficar em compasso de espera das informações que a investigação oficial apresentar. A maior ameaça à democracia pode vir de iniciativas precipitadas, extremadas, finalistas, semelhantes a atirar gasolina ao fogo. A violência cometida contra Jair Bolsonaro, qualquer que tenha sido a sua motivação e a cronologia que a antecedeu, deve servir de marco para que, a partir de agora, o país caminhe conscientemente ao momento máximo do teste democrático: eleição livre, plena, serena e voltada para o bem do país.


  • Imprimir
  • E-mail