Verão julho

Deputado Nélio Aguiar critica compra de votos

09/10/2014

Deputado estadual Nélio Aguiar(DEM) -

Em entrevista ao programa do radialista Sinval Ferreira, na manhã de ontem, o deputado estadual Nélio Aguiar (DEM), que foi candidato à Câmara Federal nas eleições de 5 de outubro, abriu o verbo para criticar o abuso de poder econômico de alguns candidatos e partidos na campanha, bem como os conchavos feitos por alguns partidos nas convenções para enfraquecer politicamente quem luta pela criação do Estado do Tapajós.

Para Nélio Aguiar, os 84.601 votos recebidos por ele nas últimas eleições foram de esperança e de crédito ao trabalho realizado por ele. “Os nossos votos foram realmente conquistados. A gente não trabalha comprando votos. A nossa maior força não é o poder econômico, nós não somos milionários. A disputa foi acirrada, mas nós sabemos que infelizmente há candidatos que abusam do poder econômico. As coisas são feitas às claras, às vezes acontecem na madrugada na véspera da eleição e até no dia da eleição. Compram votos e ninguém faz nada, fica por isso mesmo. É uma verdadeira farra de compra de votos no Pará inteiro, então fica muito difícil da gente acreditar que haverá mudança na política enquanto esse tipo de prática continuar acontecendo. Eu sempre coloco que a corrupção no mandato se origina no próprio processo eleitoral. Se o processo eleitoral for corrupto não há como combater a corrupção dentro do próprio mandato”, asseverou.

Nélio agradeceu a Deus, à sua famílias, às lideranças do Democratas e de todos os partidos que o ajudaram na campanha, e, aos eleitores de Santarém e de toda a região pelos mais de 84 mil votos,  sendo 41.179 só de Santarém e o restante na Transamazônica, Calha Norte e Santarém-Cuiabá.

Nélio lamentou o fato da vontade do povo não ser respeitada em função das regras do coeficiente eleitoral que só beneficia os partidos políticos.

“É preciso mudar essa questão de coeficiente eleitoral que é muito injusto e só beneficia os partidos. O eleitor não vota em partido, ele vota nas pessoas. As pessoas votaram no Nélio porque me queriam como seu representante. Então, essa regra do coeficiente está na contramão da atualidade. Por exemplo, se um partido soma um milhão de votos puxa um candidato que só teve 50 votos, enquanto outro candidato que obteve 50 mil votos por outro partido acaba ficando de fora. Para ter uma ideia, eu fui o 14º candidato a deputado federal mais votado no Pará. Fiquei na frente inclusive de quatro que foram eleitos: Simone Morgado, Arnaldo Jordy, Joaquim Passarinho e do Chapadinha. Com uma votação maior que a deles fiquei sem mandato por causa das regras do coeficiente eleitoral. Isso é uma frustração para o eleitorado porque a vontade dele não está sendo respeitada”, desabafou.

O deputado disse que foi vítima de estratégias montadas por partidos que não acalentam o sonho de redivisão territorial do Pará.

“Sei que a população de Santarém fez a sua parte, mas infelizmente a gente tem que enfrentar estratégias partidárias que são contra Santarém, contra a nossa região. São estratégias montadas dentro dos conchavos, das alianças, das convenções, com o propósito de nos enfraquecer. E está aí o resultado. Não conseguimos eleger nenhum deputado estadual e conseguiram tirar o Nélio do páreo. Isso foi montado, prova que teve partido que nem ia lançar candidato, mas lançou só para atrapalhar a nossa votação. Faltaram apenas 593 votos para nos elegermos deputado federal. É um prejuízo enorme para Santarém e quem faz um negócio desse não atingiu o Nélio. Eu sou médico, tenho consultório, já atendi meus pacientes e vou continuar atendendo. Atingiu o povo de Santarém e do Tapajós. Com essa estratégia de nos enfraquecer politicamente, enfraquece também a nossa luta pelo Estado do Tapajós”, observou Nélio.

Reforma Política

Para Nélio Aguiar, o Brasil precisa de reforma política urgente, para criar, por exemplo, o voto distrital. E defende que a própria população faça um PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular), assim como foi feito com a Lei da Ficha Limpa, que os deputados não tiveram coragem de fazer.

“Existe uma necessidade muito grande do voto distrital, porque não é possível que um deputado represente o estado todo, ainda mais um estado como o Pará com dimensões continentais. É mais fácil até para o povo cobrar, porque sendo o voto distrital, o eleito tem obrigação de lutar por recursos para aquela região que o elegeu. Também evita que aconteça o que aconteceu com Santarém que é um grande colégio eleitoral e ficou sem representação na Assembleia Legislativa, por exemplo. O número de representantes é definido de acordo com o número de eleitores de cada região. Então, não tem como uma região ficar sem representante”, frisou.

Por fim, o deputado lembrou que municípios muito menores que Santarém, conseguiram eleger representantes para a Alepa. Uruará elegeu Eraldo Pimenta, Oriximiná reelegeu Júnior Ferrari, Prainha reelegeu Júnior Hage e Itaituba reelegeu Hilton Aguiar.

 




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