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Verão julho

Hydro: não responde?

Lúcio Flávio Pinto - 08/01/2022

Instalações da Hydro, em Barcarena - Créditos: Correio Brazilense

A Hydro, dona da Albrás, da Alunorte e da Mineração Paragominas, das maiores produtoras de alumínio, alumina e bauxita do mundo, prefere continuar a tentar conquistar simpatia e fazer relações públicas comprando espaço (e opinião) através de anúncios de página inteira nos jornais do Pará, Estado no qual é uma das maiores empresas. Compra, mas não convence.

 

Mesmo assim, não se dispõe a um diálogo honesto, sério e verdadeiro com a opinião. Tenho feito perguntas públicas à multinacional norueguesa. Depois de muita insistência e porque condicionei aceitar convite para um encontro privado se ela respondesse às minhas perguntas, a Hydro finalmente respondeu a um dos questionários.

 

Como as informações fornecidas não eram satisfatórias, fiz novas perguntas, aprofundando as questões. A empresa não respondeu mais. Ainda assim, fiz novas perguntas em um texto postado no dia 3, que transcrevo a seguir.

 

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A multinacional norueguesa Hydro, dona do único (ou maior) polo integral de bauxita-alumina-alumínio do país, em Barcarena e Paragominas, publica mais anúncios de página inteira na imprensa local. Agora, para tentar convencer o leitor de que sustentabilidade e inovação “fazem parte do nosso DNA”.


Anuncia, como prova, que dá um “importante passo” ao firmar mais uma parceria com a UFPA “para realizar estudos sobre o uso de placas solares na sua mina de bauxita em Paragominas”.


O projeto, com investimento de um milhão de reais, prevê a instalação de placas solares flutuantes sobre os reservatórios da mina, “com o objetivo de aumentar o aproveitamento da água ao reduzir a evaporação no processo, além de oferecer uma nova fonte de energia”.


É uma comunicação importante. Acostumada, porém, a só se comunicar com a sociedade através da linguagem publicitária, a empresa deixou de fornecer informações essenciais. Já os dois jornais, presenteados com uma generosa programação de anúncios de página inteira, entende que o som da máquina registradora deve se sobrepor a qualquer linha editorial. Por isso, deixa de fazer jornalismo.


Se quer realmente convencer a opinião pública sobre o seu DNA de sustentabilidade e inovação, a Hydro precisa informar:

 

  • Quantas serão as placas solares.
  • Qual será a geração de energia que proporcionarão.
  • Qual o volume de água que não deixarão evaporar e quanto representará a água reaproveitada no total utilizado na mineração.
  • Quantos reservatórios já há na mina de Paragominas e qual o volume de água que acumulam.
  • Qual o total da área que já foi lavrada, qual o volume de minério extraído e quanto de rejeito ficou.
  • Qual a vida útil da jazida.
  • Pelas respostas, se houver, muito obrigado. Em nome do povo paraense.

 

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Um leitor, Álvaro Santos, que é geólogo, especializado em geotecnia e geologia ambiental, fez mais estas perguntas para a Hydro:

 

1)  Qual o volume de rejeitos/ano gerado pela mineração?

2)  Há estudos sobre a possibilidade de utilização desses rejeitos? Há o envolvimento da Universidade em eventuais pesquisas?

3)  Qual o programa e o cronograma para utilização e recuperação das lagoas de rejeitos?

4)  Qual o programa e o cronograma para utilização e recuperação das áreas mineradas?

Sobre a geração de energia de placas solares não haverá com isso nenhuma compensação ambiental para as degradações locais provocadas pela mineração. É pura demagogia.




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