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Onde não há médicos

Lúcio Flávio Pinto - 16/02/2020

Em novembro de 2018, o governo cubano anunciou a retirada do Brasil de médicos do programa Mais Médicos, criado em 2013 pelo governo de Dilma Rousseff, depois de críticas ao recém-eleito presidente.  Bolsonaro. Ele disse que bastaria aplicar o Revalida, que tinha sido dispensado da apresentação pelos médicos cubanos, para acabar com o programa.

 

Sem precisar revalidar seus diplomas no país de origem, eles atuavam no Brasil graças a um convênio intermediado pela Organização Pan Americana da Saúde: 70% da remuneração desses profissionais ia para o governo de Cuba, que, através dessa exportação de médicos para alguns outros países, tem uma renda de 42 bilhões de reais por ano.

 

Passa a fase das controvérsias políticas e ideológicas, além de ajustes entre o programa petista e o atual, com as modificações feitas pelo Congresso nacional, por pressão das suas bases, restam pelo menos 757 vagas ainda não preenchidas (das 1.800 que estavam previstas) pelo chamamento do governo Bolsonaro, todas elas situadas nas cidades mais vulneráveis do país, justamente as mais vulneráveis, nas quais os médicos nacionais não querem atuar de jeito algum, mesmo recebendo boa remuneração.

 

Por isso, os dois lados estão mantendo entendimentos para a volta dos profissionais cubanos para atender esses locais, sem um médico sequer para prestar assistência a brasileiros ignorados. O diploma terá que ser deixado de lado, assim como as diferenças ideológicas e políticas, se houver o interesse verdadeiro de incorporar esse povo.




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