Camarão no pão
Cartas na mesa

O paraense Lúcio Mauro

Lúcio Flávio Pinto - 13/05/2019

Lúcio Mauro, de 92 anos, ficou famoso por seus papéis na comédia Foto: Foto: Rede Globo/ Reprodução -

Cabe ao ator Lúcio Mauro a definição: ele foi o maior papel que desempenhou ao longo de sua longa vida, de 92 anos, encerrada na noite de sábado, no Rio de Janeiro.

 

Deixou de morar no Pará quando tinha 17 anos, mas levou na alma seu Estado natal. Manteve-se até o fim dos seus dias como um dos mais típicos paraenses: no modo de falar, no sotaque, no jeito bonachão, alegre e camarada de viver, na forma escrachada de fazer humor, se expressando por gestos e expressões, insinuando tanto quanto dizendo, da esperteza de malando belenense (tão tipológico quanto o carioca), ao som de um merengue caboclo-caribenho em festa de subúrbio (de preferência, no Guamá ou no Jurunas).

 

Nunca abandonou a sua cultura de origem. Nem por modismo, espírito colonial ou covardia. Simples e popular, essas marcas escondiam o grande artista que ele foi, a companhia agradável e prazerosa que proporcionou a todos que ele se aproximaram.

 

Merecia um obituário muito melhor do que o que a imprensa paraense lhe dedicou, falha lamentável que diz muito sobre a qualidade da imprensa grande local (que já foi grande imprensa). Inacreditável, na matéria do Diário do Pará de hoje, a omissão ao fato de que Lúcio era irmão de Laércio Barbalho, pai de Jader Barbalho e tio-avô de Helder Barbalho. Os dois fizeram pálida referência ao tio em seus Faces. O jornal simplesmente ignorou um aspecto importante da biografia de Lúcio Mauro.

 

Um dos seus personagens, o Da Júlia, foi a maior das muitas referências que fez à dona Júlia, sua mãe, que o acompanhou até a morte, como o Pará que amou, não este em que vivemos, cada vez mais aguado e sem fibra.


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