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Aluguel caro tem feito lojistas abandonarem pontos comerciais em Santarém

Weldon Luciano - 13/05/2019

A especulação imobiliária tem inflacionado o preço dos alugueis no Centro Comercial de Santarém. Nos últimos dois anos o valor cobrado pelo donos dos imóveis associado à queda nas vendas provocadas pela crise financeira, tem tornado impraticável para muitos comerciantes manter as portas abertas. Segundo apurou o portal OESTADONET pelo menos 12 lojas fecharam nos últimos meses. Teve dono de loja que largou o ponto e abriu uma barraca no Camelódromo da Praça da Matriz.

 

Atualmente, de acordo com um levantamento feito pela reportagem, o preço do aluguel de uma loja nesta área da cidade varia de R$ 2 a R$ 15 mil. O mais caros estão na Travessa Lameira Bittencourt, perímetro conhecido como Belo Centro. Ali, os preços reajustam em média 25% de um ano para o outro. Em 2018, teve lojista que pagou R$ 12 mil por mês e que passou a pagar em 2019 R$ 15 mil. Como não há uma lei que limite esse reajuste, a lei da demanda e da oferta que regula o mercado favorece os proprietários dos imóveis a estabelecer um preço alto. Na Travessa João Otaviano de Matos, identificamos três loja que permanecem fechadas sem novos contratos de locação.

 

De acordo com o economista José de Lima, que foi consultado sobre o assunto, os altos preços limitam o acesso de muitos empreendimentos ao Cento Comercial e podem também dificultar o aluguel dos espaços que podem passar longos períodos sem inquilinos. Pequenos e médios empreendedores acabam migrando para outras partes da cidade. “Resta saber quando vai alugar com esse preço. Para se instalar na área tem que ser algum segmento bem rentável para pagar todo esse aluguel. No mínimo, empreendimentos que tenham R$ 300 mil de faturamento mensal”, estima o economista.  

 

Uma proprietária de loja, que preferiu não se identificar, contou ao Portal OESTADONET que devido à queda nas vendas não conseguiu mais pagar o aluguel do ponto e teve que fechar o estabelecimento. Para continuar trabalhando e driblar dificuldades financeiras, ela passou a atuar na venda de mercadorias no camelódromo da Praça da Matriz. As vendas caíram, mas em compensação o custo do empreendimento também diminuiu.  O aluguel de R$ 2 mil foi substituído pelas licenças pagas à Prefeitura, que anualmente custam R$ 265 e as taxas pagas para a Associação dos Camelôs que chega a R$ 40 por mês.


 


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