pms maio
Camarão no pão
Banpará

O fundo eleitoral da corrupção

Lúcio Flávio Pinto - 04/03/2019

O PSD recebeu 2,5 milhões de reais do fundo partidário para disputar a eleição do ano passado no Pará. Foi bem sucedido: elegeu cinco dos 10 deputados estaduais da coligação que formou com o MDB e o DC, mais de 10% dos 41 deputados que a Assembleia Legislativa do Estado possui, com uma das suas maiores bancadas. Gustavo Sefer, que recebeu R$ 455 mil do fundo, foi o 2º mais votado na disputa geral, com 61 mil votos, ocupando o lugar do qual o pai, Luiz Afonso Sefer, processado pela justiça pela acusaçãod e estupro de menor vulnerável, deixou de disputar. Ana Paula Freitas (que recebeu simbólicos R$ 90) foi a 3ª, com 47 mil votos.

 

Mas quem está merecendo o interesse de todos é a garçonete e auxiliar de recepções Norma Suely Lima. Ela recebeu R$ 390 mil do fundo, a 3ª mais bem aquinhoada do PSD. Mas só conseguiu 301 votos (0,01% do total). Dá uma média de quase R$ 800 por voto, que lhe renderam a 41ª suplência na coligação MDB-PSD-DC. Seu perfil é o de uma típica "laranja", de um vasto laranjal plantado no fértil terreno do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, dinheiro que sai do tesouro nacional sem volta.

 

Foram R$ 1,7 bilhão na eleição de 2018, para 37 partidos, dos quais R$ 112 milhões para o PSD de Norma Suely, com o 7º maior orçamento. Os campeões da verba foram o MDB (R$ 234 milhões), o PT (R$ 212 milhões) e o PSDB (R$ 185 milhões). A justificativa de que a existência do fundo favorece a democracia e a autonomia dos partidos é comprometida por esquemas fraudulentos e corruptos como os que se tornaram públicos pelo envolvimento do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da república, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

 

Parece que todos os partidos, da direita à esquerda, adotaram uma versão perversa do lema que Stanislaw Ponte Preta colocou na boca da Vovó Zulmira, uma de suas personagens. A senhora apregoava: ou restaure-se a moral ou todos nos locupletemos. Os políticos brasileiros proclamam: já que não há moral pública, que todos nos locupletemos.

 

A única saída é investigar tudo em profundidade e punir os faltosos para que haja moral e ninguém se locuplete.


  • Imprimir
  • E-mail