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Pesquisa pioneira com mandioca em Santarém vai ajudar Embrapa a difundir variedade resistente a fungos no país

Weldon Luciano - 25/02/2019

A produção de variações resistentes aos fungos e redução de índice de perdas na cultura da mandioca na região de Santarém, no oeste do Pará, é o resultado preliminar de uma pesquisa que a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) vem desenvolvendo há 5 anos em parceira com a Prefeitura de Santarém. O estudo comprovou que essas pragas, principalmente a podridão causada por um fungo (podridão radicular seca), destrói até 80% da produção de uma propriedade contaminada.

 

Os estudos desenvolvidos realizaram experimentações com a variação Paraná (macaxeira) e a variação Amarelinha (mandioca). Fazem parte também das ações, experiências com as variações (Poty) e Akiriris (macaxeira), que são disponibilizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas que ainda não apresentam resultados satisfatórios contra a podridão. Os resultados obtidos já apontam melhoras na produção destas variações e futuramente podem ser usadas em outras regiões do Brasil, estreitando a cooperação científica com a empresa pública que atua na área de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil e a universidade. 

 

“Estamos apostando porque inserimos estes materiais em regiões com alta incidência da doença e verificamos que as plantas se saíram muito bem, com índices superiores até mesmo ao que é considerado pela Embrapa em nível de resistência. Os resultados obtidos agora podem ajudar a aprimorar os estudos a nível nacional com uma nova variedade resistente. Enquanto a variedade utilizada como padrão pela Embrapa ainda apresenta raízes que apodrecem, nesta variedade que estamos estudando, não apodreceu nenhuma. As projeções apontam uma produção de 30 toneladas, por hectare, enquanto a variedade usada na Boa Esperança, por exemplo, nestas condições, não produziria nem mesmo uma tonelada”, explica o professor Carlos Vildoso, do Instituto de Biodiversidade e Florestas da UFOPA.

 

 

Vildoso está à frente do Laboratório de Genética da Interação, inaugurado na quinta-feira, 21 de fevereiro, para servir de base para estes estudos, em uma parceria que envolveu o setor privado, o poder público municipal e demais setores. A cerimônia contou com as presenças do prefeito Nélio Aguiar e do professor Hugo Diniz, reitor da Ufopa.

 

“Com este laboratório, vamos poder checar se as plantas produzidas após o estudo estão realmente livres das pragas. Inicialmente, a meta é liberar até o início do próximo ano cerca de 10 mil hastes, o suficiente para ser plantado em um hectare. Esse material deve ser testado por produtores e desta forma eles nos ajudam a multiplicar. É considerado pouco em termos de produção, mas já é uma quantidade que pode ser distribuída na região da Boa Esperança, aonde estão os produtores que nos trouxe o problema e em seguida outros grupos em Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos”, diz o pesquisador. 

 

De acordo com o pesquisador a partir da identificação que levou a problemas na produção da mandioca, na comunidade Boa Esperança (km 43 da Rodovia Santarém-Curuá-Una - PA-370). O laboratório vai trabalhar com a caracterização molecular de variedades de mandioca e macaxeira para selecionar o material mais resistente à entrada de patógenos causadores de doenças.

 

“A manutenção ou ampliação desta cultura é muito importante. O que está colocando em xeque esta produção, seja entre os pequenos produtores ou uma grande indústria é exatamente o controle da podridão por meio das variedades resistentes. Por isso temos que ter uma variedade em quantidades suficientes, o que demora a ser alcançado”, ressalta Vildoso.

 

Comunidade acadêmica e grupos de agricultores atuarão de forma integrada para obter um novo sistema de produção da mandioca por micropropagação de mudas resistentes a doenças, como a podridão radicular seca, garantindo geneticamente, que os componentes entregues aos produtores para o cultivo estejam livres de patógenos.

 

Produção de mandioca

 

A Região Oeste do Pará, composta por 20 municípios, atualmente, produz 2 milhões de toneladas de mandioca por ano, o que representa 8% da produção nacional, que chega até 23 toneladas. Santarém aparece com uma produção anual de 400 mil toneladas a cada ano e de acordo com Secretaria Municipal de Agricultura e Peca (Semap), são 5 mil produtores inscritos, o que no credencia como o segundo maior produtor, perdendo apenas para o Município de Acará, no nordeste do Estado. A capacidade do setor poderia ser ainda maior se não fossem as pragas que prejudicam as plantações.

 

“É um problema relativamente antigo, que vem sendo identificado desde 2001 e elas ocasionam perdas graves e há até mesmo produtores que desistem e passam a desenvolver outra cultura. Estamos desde 2014 na pesquisa e extensão para poder viabilizar a entrega destes materiais. Agora é multiplicar”, afirma o Professor Doutor Carlos Ivan Aguilar Vildoso. 


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