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Quilombolas temem que chuvas podem fazer transbordar barragem Água Fria, da MRN ; Um vazamento já foi registrado em 2016

Weldon Luciano - 15/02/2019

Imagem do igarapé da comunidade quilombola de Água Fria, no Trombeta, atingido em 2016 por transbordamento de lagoa de rejeitos de bauxita; MRN não se pronunciou sobre essa denúncia. -

Comunitários que vivem no entorno da barragem de Água Fria, que armazena rejeitos de minérios da Empresa Mineração Rio do Norte (MRN) em Oriximiná, denunciam que chuvas fortes podem fazer com que o material armazenado nas estruturas transbordem e acabem vazando para o Igarapé que banha a comunidade quilombola de Boa Vista, um dos afluentes do rio Trombetas. Os integrantes da Associação das Comunidades Remanescentes de quilombo do Município de Oriximiná (ARQMO) são os denunciantes. Segundo a associação, a estrutura não chegou a romper, mas a intensidade das chuvas fez com que a água arrastasse o material acumulado para a área externa e o rejeito de minério acabou vazando para o leito do igarapé.

 

“A chuva é um risco que não é levado em conta. O que percebemos é que sempre há a preocupação com o rompimento, mas não se tem nenhum plano para ação, caso ocorra o transbordamento, como já ocorreu em 2016 e temos o registro fotográfico. A empresa diz que a barragem acumula apenas água de chuva e sabemos que não é, porque quando transbordou, percebemos que o Rio Trombetas foi tomado por uma lama. É uma água vermelha e não sabemos ao certo qual é a composição desta substância. Queremos um relatório mais detalhado desta situação”, diz Claudinete Colé, integrante da ARQMO.

 

Segundo apurou a equipe de reportagem do Portal OESTADONET, baseado no relato de moradores e as fotos apresentadas, o igarapé para onde os comunitários alegam que o rejeito transborda é usado como fonte de água para as comunidades além de servir como ponto de lazer, aonde as pessoas frequentam aos finais de semana.  

 

A barragem fica a aproximadamente 2km do centro da comunidade, mas existem moradores que vivem a menos de 400 metros da estrutura. A comunidade tem 170 familias, o que resulta em mais ou menos 1 mil habitantes e todos estão sujeitos a contaminação. “ A partir do momento em que o igarapé está impactado, fica inviável de ser se utilizá-lo como fonte de água e no entanto as pessoas continuam usando, pois não sabem ao certo risco que estão correndo, justamente por essa falta de transparência”, questiona a representante da entidade.

 

Ausência de Planos

 

A empresa Mineração Rio do Norte (MRN) que explora bauxita no município de Oriximiná, durante audiência pública, garantiu que sua barragens estão em condições seguras de operação e que os Planos de Ação de Emergência das Barragens de Mineração foram entregues a todos os órgãos fiscalizadores. No entanto, para o Ministério Público Estadual, os dados apresentados pela MRN ainda são superficiais, principalmente em relação ao plano de emergência da empresa em caso de rompimento das barragens.

 

A mesma reivindicação é feita pela ARQMO. A ausência de detalhes de como seriam os planos de ação da MRN em caso de ruptura das barragens é uma grande preocupação. Em caso de rompimentos destes tanques eles sabem se proteger, mas as pessoas que vivem próximo não sabem o que fazer. O plano não é disponibilizado para a gente e cobramos isso. O que a empresa sempre fala que as estruturas estão sempre muito seguras e que não vai acontecer, mas eram o mesmo que diziam das barragens em Minas Gerais e resultado estamos acompanhando hoje, com muitas pessoas que perderam suas vidas, suas casa. Não queremos que isso ocorra em Oriximiná”, conclui Claudinete.

 

Indagada sobre o assunto, a MRN ainda não se pronunciou oficialmente, mas a empresa em ocasiões anteriores negou que haja risco de vazamento de seus tanques. De acordo com a apresentação técnica realizada pela empresa, os tanques de rejeito e barragens estão em condições seguras de operação, conforme laudos emitidos semestralmente. Os relatórios são elaborados por consultoria independente e seguem padrões internacionais protocolados na Agência Nacional de Mineração (ANM), antigo DNPM. Os Planos de Ação de Emergência das Barragens de Mineração (PAEBM) dos reservatórios TP01, TP02, A1 e Água Fria, elaborados pela MRN, foram entregues a todos os órgãos fiscalizadores e, em breve, devem ser mais detalhados junto aos públicos de interesse. 


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