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Fundador de Santarém, história de Padre Felipe Bettendorf é pouco conhecida, em Luxemburgo, onde nasceu

Weldon Luciano - 14/09/2018

Santarém recebe nesta sexta-feira, 14 de setembro, a visita do embaixador de Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger. O diplomata está na região em missão oficial junto com uma delegação da União Europeia e aproveitou um dos momentos de folga para conhecer a cidade fundada por João Felipe Bettendorf, seu conterrâneo. Carlo conheceu diversos pontos turísticos, entre eles, o Museu de Arte Sacra e o Centro Cultural João Fona.

Carlo Krieger é o primeiro embaixador residente do Grão-Ducado no Brasil. Antropólogo, etnólogo e estudioso das missões religiosas no novo mundo, o diplomata cultiva por anos a curiosidade de saber mais a respeito do conterrâneo que desenvolveu diversas atividades durante a missão jesuíta na Amazônia, desenvolvida no século XVII. Em Luxemburgo há um conhecimento ainda muito vago sobre a vida e a obra de João Felipe Bettendorf.

“É por essa razão que eu vim. A curiosidade veio após encontrar um livro sobre a vida de Bettendorf e os feitos dele no Brasil. Sobre a vida dele em nossos país não se tem muito conhecimento, a não ser pelos historiadores ou pessoas que trabalham com conhecimento científico nesta área. Há um interesse em saber mais sobre o trabalho jesuíta desenvolvido por aqui, mas não é tão aprofundado. Existem artigos, publicações sobre a vida dele, mas não é algo tão bem detalhado como no Brasil e principalmente na região, aonde ele fundou uma cidade”, diz o embaixador.

Segundo Padre Sidney, que também é pesquisador das missões religiosas na Amazônia e acompanhou Carlo Krieger durante o passeio, a presença de uma pessoa ilustre como ele ajuda a estreitar os laços de Santarém com o país de origem de seu fundador, sendo uma oportunidade também de levar nossa história e memória a outras pessoas.

“O Carlo Krieger está em uma missão oficial, mas aproveitou para conhecer a cidade, que algumas pessoas em Luxemburgo conhecem como a cidade que fundada por um padre Luxemburguês no meio da Amazônia. Ele já tinha ouvido falar de Santarém e tinha o interesse em conhecer e saber mais sobre o que Bettendorf realizou por aqui”, ressalta Sidney.

Carlo Krieger deve ficar na região até domingo, 16 de setembro. Como parte de sua agenda na cidade, ele ainda deve conhecer a sede do Instituto Historiográfico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP). Belterra, a cidade fundada a partir do empreendimento de Henry Ford, também deve receber a visita do diplomata.  

João Felipe Bettendorf ou Johannes Philippus Bettendorff nasceu em 25 de agosto de 1625 em Lintgen, localidade que fica em Luxemburgo. De família abastada, estudou humanidades no colégio jesuítico do país, filosofia na Universidade de Trier (atual Alemanha) e direito na Universidade de Cuneo (Itália). Em novembro de 1647, ingressou noviciado jesuíta em Tournai e fez diversos estágios em colégios dos Países Baixos Espanhóis. Finalmente, estudou teologia em Douai, na atual França. Era um poliglota que falava alemão, francês, italiano, flamengo, espanhol e latim, sendo considerado extremamente culto.

Em 22 de junho de 1661, Bettendorf fundou Santarém sob o nome de "Aldeia dos Tapajós". Logo ao chegar,  construiu a primeira capela de Nossa Senhora da Conceição. Entre 1661 e 1695, no contexto de sua atividade evangelizadora, foi o responsável pela construção e decoração pictórica de igrejas na Amazônia, tanto na região de Belém como de São Luís. Sua obra é conhecida pela Crônica que escreveu, na qual documenta seus trabalhos. Em Santarém, também decorou o retábulo da igreja com uma pintura de Nossa Senhora da Conceição. Em São Luís, por volta de 1690, realizou o projeto da Igreja do Colégio de São Luís (atual Catedral de São Luís), além de seu frontispício e retábulos. No interior ainda se encontra o retábulo principal desenhado por ele e esculpido pelo entalhador Manuel Manços. O jesuíta faleceu em 5 de agosto de 1698.


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