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Violência contra mulher ocorre longe das câmeras, diz delegada. Casos, em Santarém, batem recorde em agosto

Weldon Luciano - 14/09/2018

No caso da agressão ocorrida em um posto de gasolina, na semana passada, em Santarém, no Oeste do Pará,  uma das câmeras do circuito interno do estabelecimento registrou o momento em que um homem agrediu com um tapa no rosto uma jovem. As imagens ajudaram a esclarecer a violência e o suspeito está preso. Mas, a delegada Andessa Alves, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), ressalta que nem sempre isso acontece. Muitas vezes as agressões ocorrem aonde não existem câmeras, dentro das casas.  

“Na maioria dos casos de violência doméstica, infelizmente acontece aonde não muitas vezes não existe um sistema de câmeras, que é dentro das casas das vítimas e dos agressores. Precisamos das provas periciais, testemunhais, depoimentos das vítimas e dos agressores, o que não impede que ele responda criminalmente pelo que fez. É possível indiciar o agressor mesmo que não haja registro em imagens”, constata a delegada.  

Andreza Alves fez essas observações ao comentar os casos de violência registrados em Santarém no mês de agosto. Ela informou que foram registrados 193 boletins de ocorrência, sendo um número recorde desde que o órgão foi implantado em Santarém. Destes boletins, 78 deles se tornaram inquéritos, sendo a maioria relacionados a agressão.   

“Se há uma imagem que você possa visualizar exatamente de que forma o crime ocorreu torna muito mais palpável a identificação do crime e do criminoso, mas existem outras formas de obter provas em uma investigação criminal.”

Para a delegada Andreza Alves, o aumento de registros destas ocorrências significa uma conscientização maior das mulheres para buscarem seus direitos. “As mulheres estão mais conscientes e vão mais em busca de seus diretos muito em função das políticas públicas que tem ajudado a mostrar para elas a quem elas devem recorrer. Felizmente, o número de feminicídios não é grande em relação ao número de ocorrências. A maioria dos casos está relacionado a lesões corporais de natureza leve, ameaças e injurias, que são as ofensas verbais”.

Segundo a delegada, em Santarém, existe uma rede de combate a violência bem estruturada contando com uma delegacia da mulher, uma vara de violência doméstica especializada para atender esta mulher, uma promotoria especializada, tem o Maria do Pará que acompanha os casos e um abrigo de mulheres. Há também uma equipe multiprofissional com assistente social e psicólogos que acompanham e dão suporte para as vítimas.

Casos de grande repercussão

Uma tentativa de feminicídio foi registrada no dia 23 de agosto quando o agressor, identificado como Hilderley dos Santos Castro, teria desferido um disparo de arma de fogo no rosto de sua esposa, Poliana Stabenow, que é servidora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O crime aconteceu quando ela amamentava a filha de cinco anos. Segundo a delegada Andreza Alves, o inquérito foi concluído e o acusado permanece preso, à disposição da justiça.

O outro caso, envolveu uma agressão de um ex-namorado a uma ex-namorada em um posto de gasolina na Avenida Fernando Guilhon. O inquérito está em andamento com algumas diligências ainda a serem feitas. O agressor, Antônio Helton Rodrigues, já está preso preventivamente. O caso ocorreu no dia 6 de setembro.

“São dois casos graves e que trouxeram à tona na mídia mais uma vez a violência contra a mulher. Lamentavelmente, este são apenas dois casos entre tantos que acontecem diariamente. A todo momento chegam na delegacia da mulher casos de lesões corporais como tapas, socos e outros”, comenta Andreza.


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