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UFOPA e MP debatem violência obstétrica em Santarém; Cinco casos foram registrados em uma semana

Weldon Luciano - 03/09/2018

Professor Neílton Silva, da UEPA ( na mesa, à esquerda), os participantes do seminário e a promotora Lilian Braga -

A incidência de casos  de violência antes e durante o parto é constante na vida de muitas mulheres em Santarém. Segundo o Conselho Municipal de Saúde, nos últimos 7 dias foram 5 casos denunciados. “É um debate muito importante, porque a cada dia, a gente recebe muitos chamados. Precisamos trazer este tema para o debate e que se possa fazer um combate efetivo. Nosso maior desafio é o acesso a informação e o acesso também ao atendimento humanizado. Temos a comissão de acompanhamento materno infantil que faz esse trabalho de acolhimento das denúncias e encaminha para o Ministério Público, além de realizar vistorias nos hospitais com o instituto de colaborar e amenizar este tipo de situação em Santarém”, diz Gracivane Moura, presidente do Conselho.    

Por causa desse cenário, a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e o Ministério Público do Pará planejam ações que desenvolvam a prevenção e o combate à violência obstétrica em hospitais e maternidades de Santarém, oeste do Pará. O objetivo é reunir profissionais, membros de entidades ligadas à saúde, mães e a sociedade civil organizada para garantir maior esclarecimento sobre o assunto.

Neste primeiro seminário, realizado nesta segunda-feira (3), o projeto contemplou uma conversa com profissionais da área da saúde no auditório do próprio Ministério Público. Na próxima segunda (10) será a vez de reunir com mães e pessoas engajadas na causa.

De acordo com a promotora Lilian Braga, a iniciativa surgiu após o desenvolvimento de um projeto no ambiente acadêmico da UFOPA e recebeu o apoio do Ministério Público, órgão que recebe diversas denúncias de casos. “Até agora, o que tínhamos era o registro de casos individuais de uma demanda espontânea em que as pessoas vinham até o Ministério Público por conta de algum problema vivenciado no momento do parto. Nosso trabalho estava muito disperso e a partir de agora, com o projeto é possível realizar uma discussão mais ampla sobre a violência obstétrica e organizar de fato um trabalho que deve acompanhar e aprofundar medidas de prevenção e combate”

Segundo os especialistas, a violência obstétrica não está só no parto, ela pode ocorrer desde o momento em que a mulher descobre que está grávida e começa a planejar a sua família. Para o fisioterapeuta e professor da Universidade Estadual do Pará. (UEPA), Neilton Sousa, é preciso identificar e entender que muitas destas situações já caracterizam este tipo de violência. Por isso, é preciso trabalhar a conscientização e qualificações dos profissionais e incentivar mães e pais a estarem atentos e denunciar qualquer tipo de abuso.

“São inúmeras situações, desde o desencorajamento da mulher de ter o bebê por via natural, se for este o desejo dela, através de deduções ou insinuações de que a criança é grande, que não tem passagem para ocorrer o nascimento e até situações de desrespeito no momento do parto, onde ela pode ser questionada em situações de que teve coragem para fazer o bebê e agora não tem coragem para suportar a dor do parto. São exemplos trágicos, mas que ocorrem no dia a dia. Observamos que desde de 2013 houve melhoras significativas e elas se deram por meio de denúncias e cobranças. É algo que passa pelos profissionais, pelo ministério público, pelos gestores e também pelo usuário”, conclui o professor.   


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