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Ação sobre Belo Monte esquenta

Lúcio Flávio Pinto - 16/02/2017

A  Operação Lava-Jato está dando neste momento mais um passo para esclarecer a denúncia de que um consórcio formado pelas maiores empreiteiras do país, envolvidas diretamente no esquema de corrupção da Petrobrás, também pagaram propina para vencer o leilão para a concessão da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

O percentual seria o mesmo adotado em relação à estatal do petróleo: pagamento aos intermediários de 1% do valor da obra. Na época, ela foi estimada em 19 bilhões de dólares. Seu custo atual seria de R$ 33 bilhões. A propina, portanto, alcançaria R$ 190 milhões. Se fosse hoje, sairia por R$ 330 milhões.

Desde cedo, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão nas casas e escritórios das pessoas investigadas de participação nessa corrupção, através de uma operação batizada de Leviatã. Entre os seus alvos estão o ex-senador e ex-deputado estadual Luiz Otávio Campos e o filho do senador Edison Lobão (do PMDB do Maranhão), Márcio Lobão.

Luiz Otávio, conhecido popularmente por Pepeca, foi ligado ao governador Hélio Gueiros, do qual foi secretário de transporte. Depois aderiu ao senador Jader Barbalho, tornando-se seu principal auxiliar em Brasília. Jadewr também foi citado no curso das investigações

Elas se transformaram em inquérito, que tramitação no Supremo Tribunal Federal. A propina teria sido destinada ao PT e ao PMDB. Delfim Netto, ex-ministro dos governos militares e ex-deputado federal por São Paulo, também está sendo investigado. Ele foi o principal conselheiro econômico tanto de Lula quanto de Dilma Rousseff, de quem se afastou em 2014, durante a campanha pela reeleição da presidente.

Delfim é apontado como inspirador dos detalhes do edital de licitação que dirigiram o resultado para beneficiar o vencedor. O leilão foi realizado justamente quando Dilma era eleita para suceder Lula, em 2010. A hidrelétrica, projetada para ser a terceira maior do mundo, se tornou a principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que teve a então ministra de Minas e Energia como a gestora.

Quando ela assumiu a presidência, chamou o senador Lobão para sucedê-la. Lobão é aliado do ex-presidente Joosé Sarney, que mandava na Eletronorte, a criadora de Belo Monte.

Os mandados de busca desta fase da Lava Jato foram expedidos pelo ministro Édson Fachin do STF. Ao que parece, os investigadores estão deixando os personagens mais importantes da história para o capítulo derradeiro do enredo.




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