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Personagens do Çairé mantém viva essência do rito religioso

Sílvia Vieira, Repórter de O EstadoNet - 15/09/2016

Créditos: Juízes do Çairé têm a função de coordenar os eventos religiosos. Foto: Tama Saré/arquivo

 Nesta quinta-feira (15), acontece a partir das 8h, a tradicional procissão dos Mastros, da Praia da Gurita, também conhecida como Praia do Cajueiro, em direção à Praça do Çairé. É a procissão que marca o início da festa, cujo rito religioso que é a verdadeira essência do Çairé, ganha vida com os personagens que têm papéis definidos na procissão, na cerimônia do Çairé, na cerimônia do Beija-Santo e nas ladainhas.

Os personagens que organizam a festa do Çairé são o Juiz e a Juíza. Eles são responsáveis por coordenar todos os preparativos dos ritos religiosos. A Juíza, além de participar da organização da festa e dos trabalhos no barracão onde acontece o rito religioso todas noites, tem a incumbência de levar o Esplendor e a Coroa do Divino Espírito Santo que representa a Santíssima Trindade. A juíza é auxiliada pela ‘procuradeira’, que tem a função de chamar os trabalhadores para tirar paus e palhas para arrumar o barracão do Çairé.

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Os mordomos também desempenham papel importante na festa. A eles são delegadas s tarefas de arrumar o barracão do Çairé, preparar os enfeites, buscar os mastros e participar ativamente das ladainhas.

Todos os personagens do rito religioso do Çairé são comandados pelo Capitão que há mais de 10 anos é o senhor Célio Camargo. Empunhando sua espada ele ordena o início da festa e comanda os rituais. É ele que conduz os ritos, as ladainhas e as rezas dentro do barracão do Çairé.

Os auxiliares diretos do capitão são os alferes e os mordomos. Os primeiros carregam as bandeiras do Espírito Santo. A vermelha é carregada pelos homens e branca pelas mulheres. Já os mordomos carregam varinhas adornadas com fitas coloridas em alusão às lanças usadas pelos soldados portugueses que compunham as guardas na época da colonização.

Em toda festa típica, alguém é responsável por controlar os alimentos da despensa. A despenseira participa do Çairé auxiliando em várias atividades. A tarefa de controlar a despensa é da senhora Cecília de Jesus Vieira.

A folia do Çairé é comandada pelo grupo Espanta Cão, formado por homens, todos moradores da vila de Alter do Chão. O nome que tem origem na introdução do violino que por ser tocado em forma de cruz, símbolo do Divino, acredita-se que tenha a capacidade de afastar o demônio.

A Çaraipora

À dona de casa Dalva de Jesus Vieira, 53 anos, cabe a responsabilidade de conduzir o símbolo do Çairé, desde o ano passado, quando Maria Justa, 84 anos, que desde 1975 exercia a função de Çaraipora, teve de passar a função devido problemas de saúde.

O símbolo do Çairé tem formato de semicírculo, que representa a Arca de Noé. Confeccionado em madeira, o semicírculo é revestido de algodão e enfeitado com fitas coloridas. Em seu interior há três divisões e três cruzes, que representam a Santíssima Trindade. E uma cruz maior que simboliza a união de Pai, Filho e Espírito Santo em um só Deus.




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