Violência interno
Pro refis

Jader investigado

Lúcio Flávio Pinto - 16/05/2018

O senador Jader Barbalho é apontado como um dos políticos do atual MDB que dividiram 40 milhões de reais que lhes teriam sido repassados pela J & F durante a campanha eleitoral de 2014. O ex-governador teria recebido R$ 8,9 milhões através de empresa de consultoria, de transportes, e de advocacia, e de doações oficiais ao diretório do MDB do Pará, além de doação oficial para o filho Helder Barbalho. Helder, que venceu no 1º turno, foi derrotado no 2º turno pelo governador Simão Jatene. É novamente candidato ao cargo.

Jader será investigado em inquérito instaurado, a pedido da procuradora-geral da república, Raquel Dodge, por determinação dada hoje pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.  Ele será chamado a depor pela Polícia Federal.

Provocado a se manifestar, o senador declarou que “jamais” pediu ou autorizou “qualquer partido ou pessoa a pedir dinheiro para decidir meu voto, e desafio esse marginal internacional, dono da JBS, a provar, de qualquer forma, que eu recebi algum dinheiro dele, por doação oficial ou não”.

As denúncias se basearam nas delações premiadas de Sérgio Machado, ex-senador pelo MDB e ex-presidente da Transpetro, e de Ricardo Saud, ex-executivo da J&F, controladora da JBS, dos irmãos Batista.

Sérgio Machado fez as acusações não por participação nos fatos, mas por ter recebido informações de que a JBS faria doações à bancada do MDB do Senado em 2014 no valor de R$ 40 milhões, a pedido do PT. Além de Jader, seriam beneficiados os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira (presidente do Senado), Vital do Rêgo (agora ministro do Tribunal de Contas da União), Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp e Roberto Requião, "dentre outros". Na sua delação, Ricardo Saud, diretor da empresa, disse que o pagamento foi de aproximadamente R$ 46 milhões.

Segundo o delator, apesar de diversas doações terem sido realizadas de forma oficial, “tratava-se de vantagem indevida, uma vez que dirigentes do PT estariam comprando o apoio de peemedebistas para as eleições de 2014 como forma de assegurar a aliança entre os partidos”.

O delator afirmou ainda, que o objetivo era “manter a unidade no PMDB, já que havia, à época, risco de ruptura, com a perspectiva de integrantes do partido passarem a apoiar formalmente a campanha de Aécio Neves à presidência da república" .

Ao decidir pela abertura do inquérito, Fachin destacou que, no momento, não é possível dividir a investigação sobre as pessoas sem foro privilegiado porque houve "descrição de condutas materialmente imbricadas". Por isso, o processo tramitará no STF mesmo.


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