Violência interno
Pro refis

Vale a pena continuar na atividade garimpeira?

Jubal Cabral Filho - Geólogo - 10/05/2018

Créditos: Fiscal do Ibama observa queima de veículo apreendido em operação do õrgão na Amazônia.

Há mais de 60 (sessenta) anos que a atividade garimpeira no Vale do Tapajós é ininterruptamente executada, sem um acompanhamento técnico/contábil, particular ou oficial, e sem perspectiva de paralização, a despeito da intensa e feroz fiscalização exercida pelos órgãos ambientais federais.

Esta atividade vem sendo exercida, no Brasil, desde sua colonização para atender, inicialmente, a voraz necessidade de manutenção da luxúria da corte portuguesa e, posteriormente, ao estabelecimento e continuidade de uma alta casta brasileira – e que perdura até os dias atuais.

E o que é o garimpo? Só o local onde se faz a extração do ouro? Quem são os garimpeiros? Não sabem? O garimpo poderia ser definido como uma comunidade, definitiva ou provisória, que pratica a garimpagem e os garimpeiros seriam todas as pessoas envolvidas na atividade de extração do ouro, individual ou coletivamente. Estes formaram comunidades que sobrevivem, com pouca ou nenhuma assistência governamental, há muito tempo em locais inóspitos e de difícil acesso no Vale do Tapajós. Brevemente podemos citar as comunidades do Sudário, Creporizinho, Água Branca, Cabaçal, Patrocínio, Creporizão, Mamoal, Porto Rico, São José e muitas outras que são lendárias vilas garimpeiras. Estas respostas já poderiam modificar as ações preconceituosas com esta classe, que engloba, além dos garimpeiros, as cozinheiras, suas famílias e trabalhadores em venda de máquinas e equipamentos, em compras de ouro, em supermercados, em bares e restaurantes, em hotéis, em companhias de aviação, bolsa de valores e muitos outros profissionais que estão intrinsicamente envolvidos com o resultado do garimpo, não só na nossa região como em todo o mundo.

Podemos e devemos mudar este preconceito com os pequenos mineradores de ouro do Vale do Tapajós que, quer queiram ou não, contribuem para a manutenção de milhares de empregos e para um balanço econômico desta pátria esquecida e vilipendiada.

Defendo, através destes mesmos órgãos que defenestram a atividade, sem olhar o prejuízo espetacular causado e ao seguir, exclusivamente, as “ordens” das ONG’s, continuando a agir como se todos os atores locais fossem meliantes desalmados e inimigos mortais do sistema, para que iniciem imediatamente uma “pós-graduação ambiental”, in loco, dos garimpeiros, madeireiros e afins. Afinal, nestes órgãos ambientais, quase todos os servidores são mestres ou tem curso superior na área afim. Muito mais espetacular será trazer estes milhares de trabalhadores anônimos para ajudar na conservação e preservação de nossos recursos quase infinitos (florestas e água) e continuar trabalhando com parcimônia nos recursos finitos (minerais) do que dilapidar centenas de milhares de reais em ações cinematográficas de repressão, que não dão nem trarão resultados práticos, além de passar a praticar, efetivamente, o desenvolvimento sustentável através do uso e disponibilidade dos recursos para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras!

Os agentes, que participam das operações “rambóticas” sempre estão encapuzados para não serem reconhecidos e, possivelmente, serem motivo de “vendeta”, por pessoas revoltadas com estas mesmas ações repressoras e infrutíferas, bem que poderiam mudar e ir nos garimpos, de cara e peito abertos, se fossem ensinar ao possível predador como ser membro de uma equipe conservacionista e passar a recuperar as áreas degradadas, após retirar o minério encontrado, passando tanto tempo quanto necessário para que isto acontecesse integralmente. Ou a floresta amazônica é tão aterrorizante para os frequentadores de shoppings e praias no Sul/Sudeste/Nordeste Maravilha que deve ser preservada integralmente? O que acontece é simples: as equipes que se denominam “de conservação ambiental” se reúnem a portas fechadas para decidir qual será o novo alvo e nunca para traçar estratégias simples e funcionais, tais como envolver a comunidade em atos de recuperação ambiental práticos, tirando-os do “lado negro da força” e trazendo para o bem estar coletivo. Não adianta dizer que “é obrigação o conhecimento da lei” se àqueles que estão no comando de ministérios e órgãos nacionais são, muitas vezes, os maiores meliantes do sistema. Vamos mudar o jogo! Para melhor!

Tem muitas outras ações que poderiam trazer resultados positivos. Por exemplo: fazer para participar da responsabilidade ambiental de recuperação das áreas degradadas os fabricantes e revendedores de máquinas e equipamentos de mineração artesanal ou empresarial.

Claro que também deveria ser feita, constantemente, uma visita esclarecedora aos revendedores de máquinas e equipamentos locais para que se tornasse obrigatório ser feito o negócio (com obrigação de inserir em nota fiscal) com quem tem a licença ambiental e outorga do órgão mineral competente para extração do minério, sob pena de punição rigorosa àqueles que incentivam a exploração mineral sem a devida permissão, além de obrigar às empresas revendedoras juntamente com os “donos de garimpos” a instituir sessões contínuas de educação ambiental e de fornecimento de mudas para reflorestamento, sempre através dos órgãos de fiscalização oficiais ou dos docentes e discentes das universidades locais, às suas expensas e com comprovação contínua. Duvido que os órgãos fiscalizadores tenham um controle sobre as vendas destes equipamentos ou se já pensaram em mudar suas ações para que se tenha perspectivas mais atraentes de extração mineral econômica, social e ambientalmente corretas; enfim sustentável.

São as pequenas ações que poderiam dar resultado constante ao invés das espetaculares ações cinematográficas de destruição dos equipamentos e máquinas pelo fogo, que iludem o núcleo central executivo e agridem ainda mais o já inobservado meio ambiente amazônico.


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