Lúcio Flávio Pinto

O governador Simão Jatene já anunciou que o seu candidato para sucedê-lo é o presidente da Assembleia Legislativa, Márcio Miranda. Mas essa declaração tem validade limitada. Márcio é do DEM, enquanto há tucanos que não só defendem um candidato próprio do partido como se consideram com direito à indicação. Não aceitarão um estranho.

Este não é o principal problema de Jatene. Ele talvez referendasse mesmo o deputado estadual se o vice-governador Zequinha Marinho concordasse em deixar o cargo juntamente com ele para se desincompatibilizarem e disputarem a eleição de outubro. Zequinha, porém, já disse que ficará até o fim do seu mandato, sucedendo ou não a Jatene.

O governador não confia no seu vice para deixá-lo comandar a máquina oficial. Teme que não só seus aliados percam o apoio do governo como ele próprio fique a descoberto. Os dois mal se falam, embora mantenham a aparência de harmonia.

Marinho quer cumprir o mandato de 11 meses, garantindo a reeleição da esposa como deputada federal e firmando sua marca na administração estadual. Conforme a conjuntura, porém, poderá até disputar o governo. Alei lhe faculta essa possibilidade. O PSDB seria destronado do poder e Jatene voltaria a certa obscuridade política.

Provavelmente por isso, o governador está azeitando o aparato público para colocar gente da sua confiança nos cargos chave, com capacidade para render votos para si, para os aliados e para a filha, Izabela, se ela for mesmo disputar um lugar na Câmara Federal (ou para o seu marido, se a decisão for mantê-la à margem para permitir maior margem de manobra para acordos pelo pai).

A mudança de cadeiras no salão oficial tem acontecido sistematicamente. Jorge Antonio Bittencourt deixou a presidência do Propaz e voltou ao sul do Pará, agora para assumir o recém-criado Centro Regional de Governo do Sudeste do Pará, com sede político-administrativa em Marabá. Na semana passada começou a funcionar outro centro administrativo, para a região Oeste, a partir de Santarém. As duas regiões têm os maiores redutos.

Esta é também a finalidade não declarada do Propaz, que já foi comandado por Izabela, filha do governador (agora à frente da segunda secretaria extraordinária, ambas criadas especialmente para ela). Sua nova presidente, como o seu antecessor, ingressou no órgão em 2011, no início do segundo mandato de Simão Jatene como governador. Ambos podem ser considerados da retaguarda técnica do PSDB no poder. Suas trajetórias acompanham a ascensão e descenso dos tucanos, sem deixarem de ser técnicos. No Propaz, a função anfíbia é facilitada por sua vinculação à Casa Civil do governo.

O Centro Regional de Governo do Oeste ficou com Olavo Rogério Bastos das Neves, que deixou a presidência e a direção do Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará. Os dois cargaos passaram a ser ocupados por Fábio Lúcio de Souza Costa. Ele assumiu ainda a presidência e o Conselho de Administração da Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportações de Barcarena, que pertence ao governo do Estado.

“Em razão da Companhia estar sem disponibilidade financeira para a provisão de pagamento de remuneração e salários”, o novo presidente concordou “em abrir mão do seu salário e remuneração até que sejam resolvidas as questões orçamentárias e financeiras da companhia”. Na devida ocasião deverão ser “oportunamente definidos a remuneração devida, bem como a data a partir de quando serão devidos, não cabendo qualquer indenização ou direito sobre o período de renúncia, que se inicia nesta data e segue por tempo indeterminado”.

A movimentação acelerada indica que Jatene continua empenhado em se manter no topo do poder no Pará.




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Última modificação em Segunda, 12 Fevereiro 2018 08:44