Lúcio Flávio Pinto

O crime em Belém chegou ao Círio de Nazaré. Na procissão deste ano, que está na sua fase final, ficou completamente visível a ação de pessoas que cortam antecipadamente a corda, um dos grandes símbolos da romaria. Não por fé ou superstição: para vender pedaços da corda de sisal entrelaçado no mercado negro. Uma testemunha do ato, praticado bem precocemente, na entrada da berlinda na avenida Nazaré, pouco depois das 9 horas da manhã, disse que oito pessoas participaram do ataque à corda.

Já se trata de uma situação da competência da polícia e dos encarregados da segurança dessa que é um dos maiores acontecimentos na agenda mundial do catolicismo. Até alguns anos atrás a corda, com 400 metros de comprimento e 700 quilos de peso total, só era cortada alguns metros antes de alcançar o seu final, na praça de Nazaré, onde fica a basílica-santuário.

Aí começava a disputa dos promesseiros, sobretudo dos que ficaram por pelo menos cinco horas agarrados à corda, o elo dos fieis com a padroeira do Pará. O menor pedaço conquistado era levado como troféu e prova material de que o seu possuidor realmente cumpriu a difícil tarefa de demonstrar sua fé, agradecimento por graça alcançada ou algum pedido.

Em nos mais recentes começou o ataque antecipado de pessoas que desejavam garantir a sua parte sem esperar pelo final da caminhada,  Com o incremento da demanda pelo souvenir, ele passou a ter valor monetário. O mercado negro levou ao aparecimento de grupos mais audaciosos que avançam rapidamente sobre a corda para cortar pedaço maiores, que são retalhados e vendidos ainda durante a procissão ou logo em seguida ao seu encerramento.

Como a corda é resistente, essas pssoas precisam usar facas de maior capacidade de corte, o que significa um risco adicional a um acontecimento que, mesmo reunindo centenas de milhares de pessoas ao longo de seis quilômetros de ruas do centro de Belém, raramente registra incidentes, sempre secundários.

O crime, na capital paraense, não conhece limites. Para não se expandir, é preciso que as autoridades públicas e os responsáveis pela organização do Círio adotem providências para evitar que, do saque individual, a corda passe a ser mais um objeto das quadrilhas organizadas locais e de fora.




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Última modificação em Domingo, 08 Outubro 2017 10:59