Lúcio Flávio Pinto

A Universidade Federal do Oeste do Pará foi criada em 2009. No mesmo ano, a mina de bauxita da Alcoa começou a produzir em Juruti, o último município, a leste de Santarém, antes da divisa com o Estado do Amazonas. Sexta-feira(15), a multinacional americana, a maior no mundo no seu setor de atuação, comemorou nove anos de funcionamento, considerando positivo o saldo da sua presença na região.

Destacou sua ação voluntária na execução de uma agenda de realizações que vão além da geração de renda, emprego, compensações financeiras e outros itens legais. Garante que inovou, promovendo um efetivo desenvolvimento sustentável, que deu à sua mineração em Juruti a condição de vitrine dos bons procedimentos econômicos, sociais e ambientais.

É verdade?

De fato, a Alcoa mudou ao chegar a Juruti, em 2000, e obter sua primeira licença ambiental, cinco anos depois. Foram nove anos de preparativos para começar a atividade comercial. Teve que lidar com a forte resistência à sua presença pelas comunidades nativas, enfrentando críticas e conflitos.

Superou o desafio: por sua própria força, que vai além do convencimento pela palavra, ou pela aceitação das comunidades de Juruti Velho, em função das vantagens obtidas, algumas delas já contaminadas por velhos vícios do exercício do poder, mesmo quando microscópico, e do acesso a dinheiro mais farto, mesmo quando de ponta de lenço comparativamente ao circuito do capital envolvido na operação .

Por mais que a Alcoa tenha razão em se considerar realizada, esses oito anos exigem uma análise externa, o mais imparcial e objetiva possível, capaz de esclarecer a população local e a opinião pública em geral. Ninguém mais habilitado para desempenhar esse papel do que a Ufopa. A universidade reconhece a importância da sua localização, com base em Santarém, a terceira maior cidade do Pará e o centro gravitacional de uma vasta região que aspira a autonomia para deliberar sobre os seus graves problemas.

A Ufopa não surgiu para ser mais um centro convencional de ensino superior. Dentre as sete unidades que compõem a sua estrutura acadêmica, uma delas voltada para a graduação de estudantes, há seis institutos, dois dos quais têm grande relevância para o vale do Tapajós e o Baixo Amazonas: o institutos de biodiversidade e florestas e o de ciências e tecnologia das águas.

Junto com os demais, esses institutos deveriam estar mais atentos aos acontecimentos externos e prontos a traduzir o seu significado para a sociedade. A Ufopa tinha que produzir um estudo sobre os oito anos de atividade produtiva e 17 de presença física da Alcoa em Juruti. Nada fez a respeito.

Suas pesquisas não são divulgadas ou não têm a divulgação adequada pela assessoria de imprensa, talvez pela dificuldade que os jornalistas costumam ter para convencer os pesquisadores a submeter o que fazem ao povo, o responsável pelo emprego deles em instituições públicas. Além de aprimorar esse serviço, a universidade devia fornecer links, junto com as matérias jornalísticas, para o acesso dos interessados à integra dos trabalhos. Isso não é favor: é obrigação. E é demonstração de segurança na qualidade do que faz, efetivando na prática o que foi compromisso de fazer feito no papel.

Quem sabe, no 9º ano de funcionamento da Alcoa em Juruti a Ufopa já esteja cumprindo a sua função mais nobre: ser uma fonte de conhecimento sobre os saberes que maneja e uma fonte de referência para a história já escrita da região sob a sua jurisdição e a história que ainda se está escrevendo, mascarada pela aparência de cotidiano, entregue ao trato do jornalismo.




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Última modificação em Domingo, 17 Setembro 2017 08:01